O Poder da Chuva

26 de jan. de 2009

Eu sempre disse que a chuva lava a alma.
Pra uma chuva começar, primeiro o céu deve se encontrar limpíssimo. Afinal, o sol precisa bater e fazer com que as águas que aqui na terra se encontram, subam e se tornem grandes massas escuras e úmidas a pairar sobre nossas cabeças. É nessa hora que vem o susto: todo mundo olha pra cima, vê aquelas nuvens monstruosas ameaçando explodir e derramar milhões de gotas.
Então, os (que se julgam) espertos, acham melhor ficar em casa, "pra quê arriscar se molhar na rua? pff, bobeira!" e alguns atrevidinhos a malandros preferem ficar ao ar livre e correr o risco de voltar para casa encharcados.
Bom, como sou atrevida a malandragem, faço parte do grupo que prefere se arriscar a tomar a chuva.
Mas confesso que tenho um pouco de medo. Quando meu céu está limpo demais, não espero pela tempestade. Mas se vejo as nuvens se formando, o céu ficando escuro, procuro um jeito de correr para algum lugar coberto. Só que na maioria das vezes não dá tempo. Quando vejo as gotas já estão caindo e posso ouvir o barulho dos trovões caindo tenebrosamente. Sempre hesito um pouco, mas chega determinada hora que resolvo deixar de lado as coberturas e proteções e permitir que a água caia sobre meu corpo. No começo dá uma sensação desconfortante, gelada de tanto molhar! Mas depois... Depois a chuva vai parando devagarzinha, minhas roupas vão secando e, o mais importante, o meu céu vai se abrindo. É por isso que eu digo: a chuva lava a alma. Tantas nuvens carregadas uma hora precisam se libertar de todo o peso, e a gente nem precisa lembrar de como o sol é teimoso e quer sempre aparecer...
E é assim que é. Minha chuva se foi, parou. Deixou o ar aqui no meu mundo tão mais leve, fácil de respirar. Trouxe consigo a fertilidade para o meu jardim, deixando-o mais florido e bonito.
Se quiser um guarda-chuva, eu posso lhe emprestar. Ele não tem tido muita função pra mim ultimamente. Mas eu aconselho: deixa a chuva molhar, deixa ela cair sobre a alma. O meu maior prazer seria ver o céu de todo mundo com um solzão escaldante de queimar a cútis.

Um comentário:

Anônimo disse...

E no final das contas, toda a experiência foi nova, acrescentando ao aprendizado. E sempre nos levou ao adorado clima ensolarado de pós tempestade :)